quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Tardes de Espanha - Penny Jordan

Título Original:
The Caged Tiger
Copyright © by Penny Jordan

Protagonistas:
Ruy de Silvadores e Diana de Silvadores

Sinopse:

O casamento de Diana com Ruy de Silvadores - um nobre espanhol sensual e riquíssimo - havia sido um fracasso! Vítima da trama diabólica da mãe de Ruy, que queria vê-lo casado com sua protegida Carmelita, Diana regressara à Inglaterra, levando o recém-nascido Jamie e o ódio do marido. Três anos se passaram. Três longos anos de tortura e saudade... E ela resolveu voltar à Espanha para rever Ruy, seu único amor. Ao chegar ao palácio dos de Silvadores, onde fora amada e desprezada, Diana deparou-se com uma terrível realidade: Ruy estava paralítico! E parecia odiá-la ainda mais... Estava tudo perdido ou ainda havia uma esperança?

Resenha:

Florzinhas, né, gente? Não tem como ler um florzinha em 2018 (a resenha saiu atrasada) e não sentir raiva! Hahahahaha... a mocinha só pode ser doida! Só sabia pensar na tal da Carmelita o tempo inteiro. Que agonia! Ela voltou para a casa do marido, no mínimo, ela deveria pensar em seguir em frente e tomar as rédeas da situação. Ficar o tempo inteiro pensando que o homem ainda era apaixonado pela Carmelita a cada respiro que ele dava não ajuda em nada. A danada da Carmelita nunca nem apareceu propriamente no livro, apenas nas falas dos outros personagens e principalmente na cabeça da Diana. Sério, eu não tinha paciência para essa mulher de 5 em 5 minutos achando que o Ruy amava a tal Carmelita, mesmo o homem não dando nenhum indício disso. Por sua vez, também, o Ruy não abria a boca para dizer o que estava bem evidente. Que amava a Diana, deixando-a pensar um milhão de bobagens. Numa abordagem geral, o livro é até legal. Tanto quanto um florzinha pode ser para mim, na época atual. É difícil para mim,ver mocinhas em livros contemporâneos se permitindo serem xingadas ou pisoteadas pelos mocinhos. Não entra na minha cabeça, pela desculpa que for, a mulher estar na maternidade para ter eu filho e o cara nem aparecer, mas enfim, é um clássico da Penny que por si só, já é bem polêmica! Aguardem quando eu decidir resenhar Rede de Sedução Rsrsrsrs... Não posso deixar de destacar também, a bela e corajosa atitude da Diana para tentar salvar Ruy da invalidez. No saldo geral, é um bom livrinho de romance. Recomendável.

Diana e Ruy se conheceram e logo decidiram se casar, o que causou contrariedade na mãe de Ruy que sempre desejou seu casamento com Carmelita, tanto que arma um plano para separá-los, fazendo Diana crer que Ruy é amante de Carmelita, que só casou-se com ela por nem sei o que e fazendo Ruy acreditar que Diana era amante de um inglês a quem acaba de conhecer. O caso é que eles se separam e depois, Ruy sofre um acidente que o deixa paralítico. Carmelita não quer mais o Ruy inválido e Diana, sem saber de nada cria o filho deles na Inglaterra, até receber uma carta de sua sogra, mas achando que era de Ruy, pedindo para que voltasse. 

Ponto Alto:

"Diana sentiu a testa e as palmas das mãos úmidas. A blusa vermelha parecia atrair o calor. Teve a impressão de que tomava a sentir a mistura dos cheiros de sangue e de areia seca que lhe causaram náuseas um dia antes.
Pelo canto dos olhos, viu que Ruy e Enrique haviam chegado aos currais. O administrador afastou-se um pouco e gritou uma ordem aos homens que esperavam perto da cancela que dava para o pasto. Essa era uma manobra que faziam todas as manhãs.
Por favor, meu Deus, permita que dê resultado, rezou Diana ao ouvir os homens gritando para os touros. O que quer que acontecesse, pelo menos Ruy estaria em segurança. E ela? Estremeceu ao lembrar-se daqueles chifres pontiagudos. Procurando reprimir o pânico, esperou até os touros serem conduzidos para o pátio. Haviam quatro, mas Diana só enxergou aquele animal imenso que tinha visto há pouco.
Tal qual uma sonâmbula, começou a dirigir-se para o pátio. Ouvia as vozes dos homens incitando os touros, o barulho dos cascos dos cavalos nas pedras arredondadas e, de repente, os gritos ansiosos de alguém que observara o que ela estava fazendo. À sua frente, podia avistar Ruy. Procurou apegar-se àquele único pensamento, com os olhos fixos no rosto dele enquanto sua mente eliminava as palavras que lhe gritava.
Sabia que Ruy deveria estar dizendo para que voltasse. Ainda dava tempo. A barreira de segurança estava a apenas poucos metros dela, e a afastaria daqueles chifres aguçados e de quase uma tonelada de ossos e músculos que dentro em pouco a derrubariam por terra.
Vestira a blusa vermelha de propósito, sabendo seu efeito sobre os touros. Podia escutar Enrique, que, com seus gritos, tentava dispersar os animais. Mas não hesitou. Com o canto do olho, viu aquele vulto preto e volumoso, mas não permitiu que ele dispersasse sua atenção, que a fizesse desviar os olhos do rosto de Ruy. E foi só quando percebeu que o touro a tinha visto - e pelo silêncio dos homens compreendeu que ele iria investir -, que começou a correr. Entretanto, não o fez diretamente para a barreira de segurança, porém afravés do pátio, mudando de direção ao ouvir o barulho dos cavalos.
Agora só havia o touro e ela. Os homens tinham conseguido reunir os outros animais e desviá-los. Aquele, porém, o negro precursor da morte, batendo as patas dianteiras no chão, bufou ao sentir o cheiro do medo que dela se desprendia.
- Diana! Por aqui! Não corra... caminhe devagar...
Ela escutou as palavras e as ignorou, sabendo que seus movimentos frenéticos, aquela mancha de um vermelho vivo, estavam incitando o animal a destruí-la. 
Apavorada, sentiu as batidas violentas de seu coração. Por trás dela, ouvia os homens. Alguém estava tentando distrair o touro, sacudindo um pano vermelho. Ele, porém, só via Diana. À sua frente encontrava-se Ruy, sentado na cadeira, pálido de angústia. E então o pé de Diana escorregou numa pedra e ela foi caindo... caindo... Ainda sentiu a chifrada em sua coxa, tão ardente quanto um ferro em brasa, e ondas de dor pareceram engolfá-la.
Seu último pensamento foi o de que havia falhado, pois Ruy não se movera. Não fora suficientemente estimulado para poder levantar-se daquela cadeira, como ela havia pedido em suas orações. E Diana oferecera-lhe sua vida... para nada!
Estava escuro e Diana sentiu uma dor forte na perna. Tentou se mexer, mas estremeceu.
- Que bom que você está acordada! -. disse o dr. Gonzales, inclinando-se sobre ela. - Isso é ótimo; não existe nenhuma concussão - observou ele para alguém de pé ao seu lado.
Por um momento Diana julgou que fosse Ruy, mas era impossível.
Ele não podia ficar em pé. O médico afastou-se e ela reconheceu o corpo esguio da sogra. Só que ela lhe pareceu um tanto diferente: estava chorando."

***

"Sobressaltou-se com uma batida à porta. Viu-a abrir-se e Ruy entrou com sua cadeira. O acidente conseguira o que todas as súplicas não o haviam feito: estavam agora em quartos separados.
- Está se sentindo melhor?
Diana sentiu um peso no coração. Mal podia olhar para ele, era-lhe demasiadamente doloroso.
- Sim.
- O que você fez foi uma loucura. Podia ter morrido.
- Eu sei.
- Mas então, amada, por que fez isso?
O amada, dito com tanto carinho, fez com que ela estremecesse.
- Eu...
- Sim? - encorajou-a Ruy.
- Eu... - Horrorizada, sentiu duas lágrimas escorrerem pelo rosto e caíram na mão que Ruy colocara sobre a mesa.
- Por que essas lágrimas, querida - perguntou ele, com tanto carinho que a deixou desarmada. - É verdade que você me ama?
Quando Diana conseguiu refazer-se do choque que a pergunta lhe causara, interpelou-o:
- Eu deveria?
- Não. Mas Carlos parece pensar que sim.
Carlos? Como ele pudera traí-la? Olhou ansiosamente para o rosto de Ruy, tentando ver se ele estava apenas pondo-a à prova. Contudo, tudo que pôde observar foi uma expressão divertida e terna, e algo mais... alguma coisa da qual podia lembrar-se, que havia visto uma única vez, no dia em que concordara em se casar com ele... Os homens são egoístas e imprevisíveis, disse a si mesma. Mesmo amando outra mulher, Ruy sentia satisfação em forçá-lla a reconhecer seu amor.
Ele pegou-lhe a mão e, levando-a aos lábios, beijou os dedos um por um, com os olhos fixos em seu rosto. Diana sentiu o corpo vibrar, esquecendo-se da dor na coxa, mas não da do coração..."

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